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VOCÊ ESTÁ PREPARADO? VEJA O IMPACTO DA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NO MERCADO DE TRABALHO

As empresas estão mudando. Por isso, profissionais com qualificação para lidar com a economia digital tornam-se mais competitivos.

Inovar na entrega de produtos e serviços deixou de ser um diferencial para se tornar um pré-requisito. Hoje, empresas atentas às mudanças da nova economia direcionam esforços e dinheiro para a transformação digital, área que deve receber investimento de US$ 1,3 trilhão este ano no mundo, 16,8% a mais do que o gasto pelas organizações em 2017, segundo levantamento da IDC, uma das principais consultorias em análise de mercado e tecnologia. E isso tem impacto direto no mercado de trabalho.

Na prática, a transformação digital agrupa uma diversidade de soluções que permitem digitalizar boa parte dos processos hoje “tradicionais”. No ambiente corporativo, investir em transformação digital se traduz em gerenciar ferramentas, recursos humanos e tecnologia para criar uma cultura na qual a organização inteira se aproxime da esfera digital: ágil, dinâmica, compartilhada, e não restrita às áreas de TI ou de P&D, por exemplo.

E as possibilidades da digitalização são infinitas. Vão desde interligar a geladeira à internet à fabricação toda virtual de um carro, passando por colocar na nuvem pilhas e pilhas de documentos que antes ocupavam uma sala inteira. Você ainda vai ao banco ou faz tudo pelo celular?

“O digital é acima de tudo uma cultura que traz mais agilidade, rapidez e custos menores. Alguns gestores já perceberam isso, e estão investindo esforços em reinventar seus negócios. Num primeiro momento, você pensa nas ferramentas, no site, e isso é legítimo. Mas ao levar essa geração de pensadores e criadores digitais, você cria uma nova cultura, e percebe que tem uma empresa totalmente diferente do que você tinha antigamente: mais colaborativa”, observa Carlos Alberto Júlio, CEO da Digital House (DH), start up de educação que surgiu para resolver um gap do mercado na formação de profissionais digitais. Estima-se que nos próximos anos mais de 160 mil vagas em todo o Brasil na área de tecnologia não serão preenchidas por falta de profissionais habilitados.

A Digital House já está em atividade em São Paulo e vai iniciar seus cursos em abril. Os primeiros oferecidos são: desenvolvimento Web Full Stack, desenvolvimento Android e marketing digital. Durante o ano, outros serão implementados, de acordo com as demandas do mercado. Nos dois campi da empresa, em Buenos Aires, na Argentina, os cursos já atenderam mais de 3 mil alunos, dos quais 96% estão empregados.

Profissionais múltiplos

Os investimentos das organizações em transformação digital refletem não só a preocupação empresarial em acompanhar essas transformações, mas também em garantir competitividade e permanência no mercado. “Quem não passar pela transformação digital deixará de existir. Cada vez mais as empresas que se adaptam ao mundo digital vão ter uma vantagem competitiva muito grande sobre aquelas que não se adaptam”, afirma Antônio Celso Leitão, Executivo de Hybrid Cloud da IBM Brasil.

Parte dessas vantagens já pode ser percebida. Levantamento produzido pelo Harvard Business Review Analytics Services (HBR-AS) mostrou que, entre empresas líderes da transformação digital, 73% geraram maiores receitas e 68% notaram melhora na rentabilidade.

Para o coordenador do programa de transformação digital da Fundação Dom Cabral, professor Hugo Tadeu, profissionais que querem participar ativamente dessa nova era devem ser curiosos, desenvolver uma capacidade de perguntar, de se questionar. “Ele não pode ter aquele sentimento de conformidade. Tem que buscar mais, ser crítico, entender de tecnologia, design, negócios. Aquilo que ele programa e desenvolve tem que ser transformado em uma solução efetiva para a organização”, observa.

Nesse contexto, é fundamental se manter atento às transformações. Uma das linhas de ensino da Digital House, por exemplo, é aprender a aprender. “No mundo digital, a qualquer momento surge uma nova solução, e você tem que estar preparado para aprender a utilizá-la. Nós damos aos alunos as condições de se prepararem para as novidades do mercado”, explica Carlos Alberto.

Preparo e criatividade

No Brasil, o cenário da transformação digital é heterogêneo. Algumas empresas estão no meio do caminho, conscientes de que precisam entrar na nova economia, mas ainda não sabem como. Geralmente, contam com uma área de marketing digital, um site bem desenvolvido, mas não têm a perspectiva, por exemplo, do trabalho colaborativo, de pensar em soluções rápidas, e estão, aos poucos, migrando para isso.

Ao mesmo tempo, há um grupo de empresas pioneiras, ligadas nas mudanças: ou nasceram já com uma proposta digital (exemplos são o Facebook, Uber e Spotify), ou mergulharam rápido nesse mundo, isto é, conseguiram implementar projetos de digitalização de seus processos com eficiência. Estas empresas buscam colaboradores que unam preparo e criatividade, com dinamismo para aliar conhecimentos tecnológicos à busca por inovação nos processos diários do trabalho.

“O profissional precisa ter coragem de evoluir. A transformação digital é muito dinâmica e vai questionar o status quo de tudo o que se está fazendo. Você tem que sair da zona de conforto e entender como conseguirá se engajar nisso”, afirma Richard Stad, CEO da Aramis. A empresa, que atua no segmento de varejo com foco no vestuário masculino, vem empreendendo iniciativas de digitalização.

Há pouco mais de dois anos, a Aramis iniciou um projeto de integração entre os dados e sistemas, que culminou na implantação, nas 42 lojas próprias, de uma solução que melhora e personaliza a experiência de compra. O atendimento é feito em conjunto com um tablet, que fica ou na mão do vendedor, ou próximo ao caixa. Os atendentes utilizam o dispositivo para armazenar e ter à disposição informações sobre o histórico do cliente: preferência por peças, por marcas, sugestões de roupas que combinam com o que ele já comprou, entre outras.

Não se trata, alerta Stad, de substituir a atividade humana pela tecnologia, mas sim tirar proveito das ferramentas disponíveis para otimizar e potencializar esse trabalho. “É importante trazer a tecnologia para dentro do contato humano. A nossa percepção sobre tecnologia deve ser a de trazer mais informações, para que o vendedor possa ter uma experiência melhor com o cliente no ponto de venda”, explica.

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